10/06/2006

M


Delicado como barras de metal

Ouço passos lá fora. A porta é aberta delicadamente. Posso ver uma figura masculina entrando. Espero um pouco mais para ter certeza. Sim, era Pedro. Corro em sua direção, abraço-o com força. Ele, atenciosamente, me pergunta se estou bem. Digo que estava preocupada, mas que isso já não importava, ele estava aqui. O beijo que segue é delicado, apesar da minha vontade de engolir sua língua. Não quero delicadeza, queria apenas ele dentro de mim. Mas contrário ao meu desejo, ele segue galante, me beija, fala ao pé do meu ouvido palavras de amantes, me enamora. Quando tudo o que quero é um pau, recebo uma moça. É como dizem os cômicos: “aos de tróia, gregos separatistas”.
Finalmente, o receoso Pedro decide me invadir. Agradeço, de verdade, agradeço. Ele não entende os “agradeços”, ignora-os, agora dominado pelo desejo de sua própria filantropia. Via meu sexo escorrer, e o adentrava. Entrava na área do previsível, movimento dual de penetração. Porém o prazer era inegável, e ele tão galante continuava com seu eloqüente amar ao pé de meu ouvido. Eu me entregava, aberta ao ritmo do homem sobre mim. Sentia algo invadindo meus sentidos, minha vista nublava, meie que ébria.
Vejo que ele esta próximo do gozo, implacável em seu meio compasso. Goza. Tenho prazer em ver em seu rosto a expressão de que ele esta aproveitando sem culpa aqueles instantes, deixou de lado os movimentos. Mas logo retoma consciência, pois curto é o orgasmo masculino (pelos menos é o que afirmam, mas sempre desconfiei de que secretamente mentiam para nos consolar). Logo segue o impulso de me satisfazer e, sendo ainda jovem, continua a me penetrar. O prazer físico é retomado. Grito selvagelmente, deixando-me dominar pelo prazer do ápice sexual, tremo de prazer, de descontrole primal. Ele me beija a fronte, deita ao meu lado, abraçando-me. Ah, as formalidades!
Assim ficamos por uns longos minutos. Me beija, fala que ama e despede-se. Toca a porta de metal frio com suas mãos molhadas com meu calor. Abre a porta, e diz o confiante derradeiro “Eu te amo”.
Estou sozinha, e as grades de metal não são nenhuma consolação.